Índice
A Guerra dos Farrapos começou em 1835 e se tornou a mais longa guerra civil da história do Brasil — uma década de lutas, negociações e histórias humanas que ainda ecoam no Rio Grande do Sul.
Aqui você vai encontrar um texto leve, direto e bem fundamentado sobre as causas, os atores e as consequências desse episódio, tudo pensado para lhe entregar informação de qualidade.
Por Que a Guerra dos Farrapos começou?
A Guerra dos Farrapos teve origens políticas e econômicas: no plano fiscal, a disputa pelo preço e tributação do charque — produto central da economia gaúcha — deixou estancieiros furiosos com a concorrência platina (Argentina e Uruguai).
No plano político, a descentralização do Período Regencial e o embate entre liberais e conservadores geraram o clima perfeito para a insurreição.
Na prática, o descontentamento cresceu quando a Assembleia Provincial, de maioria liberal, e o governador indicado pelo Império entraram em choque. O dia 20 de setembro de 1835, quando Porto Alegre foi tomada, marca o estopim da Guerra dos Farrapos — e é até hoje festejado no calendário do Rio Grande do Sul.
Pequena história: reza a lenda local que, na madrugada da tomada de Porto Alegre, um jovem estancieiro lembrou-se de que não havia pressa — havia apenas convicção. Esse mix de coragem e desespero moveu muita gente para a luta.
Como a Guerra dos Farrapos se Desenrolou
A Guerra dos Farrapos foi marcada por uma guerra de movimento e pelo domínio dos campos: os farrapos exploraram sua habilidade montada e a influência nas áreas rurais, usando táticas de guerrilha e mobilidade.
A campanha raramente garantia o controle duradouro das cidades; as capitais farrapas mudaram várias vezes (Piratini, Alegrete, Caçapava do Sul, São Borja, São Gabriel).
A balança militar oscilou ao longo dos anos. Os farrapos obtiveram vitórias notórias — como a ocupação temporária de Porto Alegre e a proclamação da República Rio-Grandense em 1836 — e ainda chegaram a fundar, por um breve período, a República Juliana em Laguna (1839).
Porém, as forças imperiais, apoiadas por melhor logística e recursos, foram recuperando terreno aos poucos.
Alguns fatos-chave:
- Estratégia farrapa: cavalaria móvel, conhecimento do terreno e apoio dos estancieiros.
- Vantagem imperial: maiores recursos, reforços por via fluvial (Guaíba) e concentração em centros urbanos.
- Episódios trágicos: o Massacre de Porongos, em que muitos lanceiros negros foram mortos, deixou marcas profundas no movimento.

Líderes e Personagens da Guerra dos Farrapos
Os líderes da Guerra dos Farrapos misturavam poder econômico e experiência militar. Bento Gonçalves e Davi Canabarro são os nomes que mais aparecem nas narrativas, mas a lista é maior e inclui figuras como Antônio de Souza Netto e Giuseppe Garibaldi, cada qual com papel distinto no conflito.
Bento Gonçalves, estancieiro e militar, foi um dos principais estrategistas e chegou a presidir a efêmera República Rio-Grandense. Davi Canabarro ganhou destaque como general e, posteriormente, assinou o tratado de paz em nome dos farroupilhas.
Garibaldi, o italiano aventureiro, comandou ações navais e trouxe brilho — e romance — à história (casou-se com Anita Garibaldi durante esse período).
É importante notar a presença decisiva dos lanceiros negros: cerca de um terço das tropas farrapas era composta por negros, muitos prometidos com liberdade ou melhores condições. O destino desses soldados foi complexo e, em casos como Porongos, trágico — evidenciando as contradições do movimento: luta por autonomia e desigualdades sociais profundas.
Fim, Consequências e Legado da Guerra dos Farrapos
A Guerra dos Farrapos terminou oficialmente em 1º de março de 1845, com a assinatura do Tratado do Poncho Verde (ou Paz de Poncho Verde).
Apesar de derrota militar em sentido estrito, os farroupilhas alcançaram ganhos políticos importantes: anistia ampla, escolha de presidentes provinciais por indicação local, redução de impostos sobre o charque gaúcho e ajustes na tributação do produto platino.
Consequências principais:
- Anistia dos líderes farroupilhas e garantia de propriedade e retorno aos lares.
- Redução do imposto sobre charque do Rio Grande do Sul e alterações que favoreceram a produção local.
- Reforço de um sentimento de identidade regional no Rio Grande do Sul, que até hoje celebra a data de 20 de setembro.
Ao mesmo tempo, a memória da Guerra dos Farrapos é ambígua: celebrada como luta por autonomia e direitos, ela também carrega críticas devido ao massacre de Porongos e às tensões sociais vinculadas à escravidão.
A entrada de figuras internacionais como Garibaldi conecta o conflito a tramas globais do século XIX — desde revoluções liberais até movimentos de unificação nacional.
Por Que Isso Ainda Importa Hoje?
A Guerra dos Farrapos ajuda a entender como disputas econômicas (o tal do charque) e tensões políticas podem inflamar regiões longínquas. Elas mostram também que derrotas militares não significam sempre derrota política — e que acordos podem transformar o curso de uma província.
Se você mora no Rio Grande do Sul, provavelmente já cruzou com ecos desses acontecimentos na toponímia, nas festas e nas tradições locais. E mesmo para quem está longe, é uma aula sobre como as questões regionais moldam países.
Encerramento — Um Papo ao Pé do Fogo
A história da Guerra dos Farrapos é rica, contraditória e humana. Teve heróis, traidores, homens e mulheres, negros e brancos, e um punhado de idealistas que ousaram enfrentar o Império. Se ficar curioso, vale visitar museus e cidades históricas do Sul para sentir de perto essa trama.
FAQ — Guerra dos Farrapos
O que foi a Guerra dos Farrapos?
Foi uma revolta regional ocorrida no Rio Grande do Sul entre 1835 e 1845, marcada por disputas políticas, econômicas e pela luta dos farroupilhas contra o Império.
Por que a Guerra dos Farrapos começou?
A revolta surgiu por causa dos altos impostos sobre o charque gaúcho e da disputa entre liberais e conservadores pelo controle político da província.
Quem foram os principais líderes farroupilhas?
Bento Gonçalves, Davi Canabarro, Antônio de Sousa Netto e Giuseppe Garibaldi se destacaram como líderes militares e políticos do movimento.
Qual foi o resultado da Guerra dos Farrapos?
Apesar da derrota militar, os farroupilhas conquistaram vantagens políticas, como anistia, benefícios fiscais e maior autonomia local.
O que foi o Massacre de Porongos?
Foi um ataque em 1844 no qual mais de cem lanceiros negros foram mortos, episódio lembrado como um dos mais trágicos e controversos do conflito.




